terça-feira, 2 de julho de 2013

Confrontos em protestos de rua matam 7 na capital do Egito Há dezenas de feridos no Cairo, alguns deles em estado grave. Exército deu prazo para presidente Morsi e oposição chegarem a consenso.


Sete pessoas morreram nesta terça-feira (2) em confrontos entre partidários e opositores do presidente do Egito, Mohamed Morsi, no Cairo, segundo fontes médicas. Os choque ocorreram no distrito de Giza e também deixaram dezenas de feridos, alguns em estado grave, em meio à crise política que paralisa o país e que levou multidões às ruas das principais cidades. Tumultos também eclodiram em outros bairros da periferia do Cairo e na província de Beheira. O presidente Morsi, islamita primeiro líder eleito livremente no Egito após a queda do ditador Hosni Mubarak, tem sido alvo de protestos, com dezenas de milhares de pessoas pressionando por sua saída. Na segunda-feira, o exército ter dado um prazo de 48 horas para que o Morsi e a oposição liberal cheguem a um consenso político. Os militares negaram que tenham a intenção de dar um golpe de Estado. O presidente, que rejeitou o ultimato, se reuniu nesta terça com o chefe do Exército, o general Abdel Fattah al-Sissi. Nenhum detalhe a respeito desta reunião foi divulgado por ora. A oposição egípcia anunciou a designação de Mohammed El Baradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), como seu representante, visando a uma transição política. O ultimato foi elogiado pela oposição, que acusa o presidente de querer instaurar um regime autoritário em favor da Irmandade Muçulmana, movimento islamita ao qual pertence. Já os partidários do chefe de Estado insistem na legitimidade do primeiro presidente eleito democraticamente no país. O clima era de tensão desde o início do dia. O manifestante Mostafa Gharib manifestou à France Presse o seu temor de que os islamitas "lutem até o fim antes de cair". Para Mona Elghazawy, a batalha agora é contra os islâmicos. Um grande esquema de segurança da polícia foi montado no Cairo, enquanto helicópteros do Exército sobrevoavam a cidade. Um dos líderes da Irmandade Muçulmana chegou a pedir aos egípcios que estejam dispostos a sacrificar suas vidas e que evitem um golpe de Estado. "Buscar o martírio para evitar este golpe é o que podemos oferecer aos mártires anteriores da Revolução", afirmou Mohamed al-Beltagui, em referência aos quase 800 mortos durante a rebelião de 2011, que levou à queda de Mubarak. Dezenas de milhares de partidários do presidente se reuniram no bairro de Nasr City e em frente à Universidade do Cairo, na outra margem do Nilo. "A posição do Exército é preocupante e perturbadora. Se eles tomarem o país, vamos fazer uma revolução islâmica", advertiu Mohamed Abdel Salem, um manifestante pró-Morsi. "Acorde Sissi, Mursi é o meu presidente", cantava a multidão ao ministro da Defesa. Alia Youssef, engenheira de 24 anos, disse estar "pronta para morrer em defesa da legitimidade (do presidente) e para dizer 'não' a um golpe militar". Em um comunicado, a Presidência afirmou que o "Egito não permitirá um recuo, sejam quais forem as circunstâncias". Esta resposta obrigou o Exército a desmentir qualquer plano de golpe de Estado e a esclarecer que o ultimato, lido por seu chefe, o general Abdel Fatah al-Sissi, pretendia "levar todos os setores políticos a encontrar uma saída rápida para a crise atual".
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