quarta-feira, 6 de novembro de 2013

crianças nadam em lixo no recife-pernabuco para catar latinhas para ajudar na reda da familia

As crianças da comunidade Saramandaia, no Recife, foram flagradas mergulhando no canal Arruda em busca de latas de alumínio que possam ser vendidos. Um dos meninos que passa o dia no lixo explica que o esforço é para ajudar a comprar comida. A mãe das crianças teria deixado de receber o auxílio Bolsa Família por causa da baixa frequência escolar dos filhos. A reportagem foi exibida no SBT Brasil. veja a reportagem de hoje Menino que catava latas em esgoto do Recife diz que sonha ser policial As latinhas de alumínio que Paulo Henrique, 9, tirava de dentro de um canal cheio de lixo no Recife viravam dinheiro para comprar biscoito e salgadinho. O menino fotografado submerso em lixo e água suja, apenas com a cabeça para fora, diz que não vai mais catar latas, como fazia desde os cinco anos de idade. Mas o canal do Arruda, no pobre bairro homônimo da zona norte do Recife, continua sendo o único local de lazer das crianças da região. Nesta semana, a rotina do garoto se tornou conhecida depois que o "Jornal do Commercio" publicou sua história, com foto na capa. Nas margens do canal, os garotos empinam pipa. Na manhã de ontem, o menino mirrado, tímido e monossilábico voava de um lado para o outro sobre o canal, num balanço improvisado. Um de seus amigos brincava com os pés enfiados na lama suja. "Canal aqui é piscina", afirmou uma passante. A visita de repórteres virou rotina por ali. Ao meio-dia, os garotos correram para um dos barracos da favela para se verem nos telejornais.
Paulo Henrique, um dos meninos que nadam no canal do Arruda, no Recife, em busca de lixo para vender 'QUERO SER POLÍCIA' Na escola municipal onde Paulinho estuda, no entanto, ninguém fez comentários. Ele disse ter entregado um exemplar do jornal a uma professora, que não deu atenção. Quando questionado se gostava de ir à escola, o aluno da segunda série silenciou. Ele é torcedor do Sport, mas não sonha em ser jogador de futebol. "Aqui é ruim porque não tem campo por perto, não tem pracinha." Acostumado à violência da favela, área de tráfico de drogas, só tem um plano: "Quero ser polícia para pegar bandido", afirma. Ele não faz ideia de quem seja o prefeito do Recife, o governador de Pernambuco nem a presidente do Brasil, mas sabe o que pediria a eles. "Ia pedir uma casa. Aqui [no barraco] é um pouco apertado." Paulo Henrique vive com a mãe, faxineira, um "paquera" dela e cinco irmãos. Todos dormem no mesmo ambiente, em uma cama de casal e dois colchões de solteiro. O espaço abriga duas televisões, uma geladeira, um fogão e um armário. Ontem, a Prefeitura do Recife enviou assistente social e psicóloga ao local. As mães das crianças foram orientadas a procurar o conselho tutelar e a prefeitura, para renovarem o cadastro do Bolsa Família --que não recebem desde 2008. A prefeitura informou que faz a dragagem e a capinação das margens do canal desde o início do ano. O projeto de urbanização da área aguarda recursos federais. Segundo a prefeitura, um conjunto habitacional receberá parte das famílias da área e as demais devem ser contempladas com unidades do Minha Casa, Minha Vida.

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