sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

RIO DE JANEIRO:CHUVA CONTINUA DESABRIGANDO E CAUSANDO PREJUÍZOS

Obras de controle de enchentes no RJ não impedem alagamentos De 2009 até 2011, Prefeitura do Rio investiu R$ 949,1 milhões em obras. Intervenções ocorrem em regiões onde há alagamentos históricos na cidade.
Prefeito do Rio visita famílias em área inundada (Foto: Alessandro Costa/Agência O Dia/Estadão Conteúdo) O investimento de R$ 949,1 milhões no pacote de obras de controle de enchentes, feito entre 2009 e 2011 pelo governo do Rio de Janeiro e pela prefeitura da capital, não conseguiu evitar os alagamentos registrados na Zona Norte da cidade e no subúrbio na quarta-feira (11). Para 2013, a previsão orçamentária para esse tipo de obra é de R$ 338,25 milhões. Os recursos são do governo federal e dos municípios. A chuva no estado do Rio de Janeiro alagou ruas, isolou moradores, deixou mais de cinco mil desalojados, 395 desabrigados e provocou três mortes. Além da capital, vários municípios da Baixada Fluminense – como Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Mesquita, São João do Meriti, Duque de Caxias e São Gonçalo – também foram atingidos.
Veículos arrastados pela enchente pararam no leito do rio Acari (Foto: Jadson Marques/Futura Press) Atualmente, a Fundação Rio-Águas, vinculada à Secretaria Municipal de Obras do Rio, está executando sete empreendimentos para o controle das cheias. O programa de recuperação ambiental da Bacia de Jacarepaguá, que integra o Caderno de Encargos para a Olimpíada de 2016, é uma delas, com objetivo de limpar e recuperar 14 rios. Segundo a prefeitura, sete deles já foram recuperados e outros dois serão entregues até o final do mês. O investimento é de R$ 362 milhões e o programa, iniciado em julho de 2011, tem previsão de conclusão no segundo semestre de 2014. O rio Acari, que corta o bairro de mesmo nome e mais três áreas – Honório Gurgel, Marechal Hermes e Guadalupe – na Zona Norte, foi um dos responsáveis pelas inundações na região na última quarta. Os 2,8 quilômetros de canalização custarão R$ 87,7 milhões, e a previsão é que o trabalho seja entregue em 2014. Essa enchente é crônica por causa do rio e todos os anos perdemos tudo. É uma tristeza. Só escutamos promessas"
ar da promessa, os moradores mais antigos do bairro estão cansados de esperar pela solução do problema. "Essa enchente é crônica por causa do rio e todos os anos perdemos tudo. É uma tristeza. Só escutamos promessas", disse Hildo Paulino Nascimento, morador de Acari há 50 anos. A prefeitura informou que os serviços de manutenção e conservação dos canais são constantes e ocorrem ao longo do ano. Sistemas de alerta A prefeitura do Rio investiu R$ 7,8 milhões no sistema de alerta e alarmes contra enchentes. A implantação foi em 2011 e beneficia 103 comunidades com 18 mil imóveis localizados em áreas de alto risco. As comunidades têm 150 pontos de apoio e 165 estações de sirenes. A Defesa Civil afirma que já realizou 21 exercícios simulados para treinar os moradores. De acordo com a prefeitura, desde que o sistema foi implantado não há registro de vítima fatal por deslizamentos de terra. A novidade para este ano é a implantação, por parte da Defesa Civil municipal, de 44 novos pluviômetros, cedidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemadem).Os equipamentos serão instalados em regiões com maior possibilidade de enchentes e alagamentos.O Complexo do Lins foi o primeiro a receber o novo sistema, segundo a prefeitura. A Defesa Civil do estado informou que o sistema de alerta será ampliado para 12 municípios do estado, entre eles, Niterói, Queimados, Magé e Barra Mansa. Na Região Serrana, já foram instalados 84 conjuntos de sirenes. "O sistema de alerta e alarme é apenas um dos projetos para atenuar os impactos dos desastres naturais que atingem as comunidades com risco geológico. É considerado o meio mais eficaz a curto e médio prazo para que vidas sejam salvas", disse o secretário de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões. Na Praça da Bandeira, na Zona Norte, onde os alagamentos se repetem há décadas, as obras começaram em junho do ano passado. Serão construídos cinco reservatórios, conhecidos como "piscinões", com capacidade para armazenar 18 milhões de litros de água em um cilindro de 35 metros de diâmetro por 20 de profundidade. De acordo com a Fundação Rio Águas, responsável pelo monitoramento e dragagem dos rios do município, o primeiro piscinão, o menor dos cinco projetados, deve ser entregue ainda este ano. A obra já sofreu dois atrasos. Além do reservatório, o governo municipal está implantando cerca de 1.500 metros de galerias de águas pluviais para ajudar a drenar a água. A estimativa é que, depois que os cinco tanques estiverem prontos, o que está previsto para final de 2014, a enchente na Praça da Bandeira seja lembrada apenas nos livros de história. O presidente da Rio Águas, Marcelo Sepúlvida, disse que as obras de desvio do Rio Joana, que corta a região, também vão ajudar a desviar um terço da água da chuva para a Baía de Guanabara. Segundo a prefeitura, um Plano Diretor de Manejo de Águas Pluviais da cidade do Rio está em fase de conclusão e os resultados dos estudos serão entregues este mês. Além disso, para prevenir os alagamentos existe um sistema que monitora os rios da cidade em tempo real. A rede, chamada MonitorÁguas, é composta por uma rede de 26 estações hidrológicas. Durante a chuva desta quarta-feira, houve monitoramento contínuo dos cursos d’água, quanto ao nível e precipitação, pelo Centro de Operações Rio (COR). Técnicos da Rio-Águas acompanharam as condições dos rios e diante da possibilidade de extravasamento comunicaram aos órgãos que fazem parte do COR, informa a prefeitura. A pedido do G1, a Fundação Geo-Rio, órgão ligado à Secretaria Municipal de Obras, divulgou levantamento sobre a situação das encostas da cidade. Segundo dados, foram recuperados 645 pontos de encostas, de 2009 até 2013. Também desde 2009 foram concluídas 184 obras de contenção na cidade. Atualmente, 17 estão em andamento e nove encontram-se licitadas e em contratação. Os investimentos nesta área chegaram a R$ 320 milhões. Para a realização das intervenções, o Rio criou o Plano de Gestão de Risco do Município, e realizou o mapeamento do Maciço da Tijuca e a Serra da Misericórdia, regiões mais povoadas da cidade. O estudo identificou 117 comunidades com áreas de alto risco. De acordo com a Geo-Rio, esses locais de risco ganharam projetos que estão em fase de licitação e cujas obras devem ser executadas entre 2014 e 2015, com recurso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – 2, do governo federal . As primeiras regiões contempladas serão os Complexos da Penha e do Alemão. O investimento para essas obras chegam a R$ 83 milhões. Apesar de dizer que a responsabilidade pelas obras é das prefeituras, o governo do estado também tem atuado com ações e obras emergenciais e de recuperação nas cidades. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) é o órgão responsável pelas obras de dragagem de rios, lagoas e canais. Segundo o governo, a Secretaria Estadual de Agricultura também tem prestado ajuda às prefeituras, disponibilizando máquinas nas áreas rurais. Cabe à Secretaria Estadual de Obras a recuperação de rodovias, imóveis públicos e contenção de encostas. As ações da pasta da Secretaria Estadual de Obras para contenção de encostas e recuperação de vias urbanas são em parceria com o governo federal, no valor de mais de R$ 650 milhões. Desde 2010, de acordo com o governo, há obras concluídas e em andamento, nas cidades serranas de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, além de Niterói e Angra dos Reis, com o objetivo de prevenir futuras tragédias como as ocorridas em 2011. Balanço divulgado pela Secretaria de Obras aponta que já foram concluídas 49 grandes obras na Região Serrana: 30 em Nova Friburgo, 17 em Teresópolis e duas em Petrópolis. Segundo levantamento, estão em andamento outras cinco obras em Nova Friburgo, três em Teresópolis e 10 em Petrópolis. A previsão é realizar 16 obras de contenção de encostas em Teresópolis e Nova Friburgo. O governo do estado informa ainda que já foram concluídas obras contra enchentes em Niterói, na Região Metropolitana. As comunidades beneficiadas são os morros do Bumba, onde ocorreu deslizamento em abril de 2010 matando 47 pessoas e desabrigando milhares de famílias, do Céu e do Caramujo. Há ações em andamento no litoral sul do estado, em Angra dos Reis, como obras de contenção de encostas nos morros da Carioca, Glória 1 e 2, Bonfim e São Bento e Enseada do Bananal. Dragagem dos rios Segundo o Inea, o controle das cheias e a recuperação ambiental da bacia hidrográfica é realizada pelo Projeto Iguaçu, que está em andamento desde 2008 e alcança as bacias dos rios Iguaçu, Botas e Sarapuí, os principais da Baixada Fluminense. De acordo com a presidente do instituto, Marilene Ramos, durante o período das chuvas as águas dos rios aumentam de volume e é importante que as margens estejam desobstruídas. Essa, segundo ela, é a principal meta do Projeto Iguaçu. Segundo o Inea, já foram investidos R$ 440 milhões na Baixada Fluminense e 3 mil famílias que viviam nas áreas de risco foram reassentadas. A presidente do instituto ressalta que uma das principais causas das cheias é o despejo irregular de lixo nas margens. A coleta regular evitaria tragédias já que o lixo não seria descartado dentro dos rios e canais que cortam a região. O projeto atualmente beneficia mais de 2,5 milhões de moradores de seis municípios da Baixada e o bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio. Os investimentos, provenientes do PAC 2 foram de mais de R$ 1 bilhão. Dois dias após a enchente que alagou municípios da Baixada Fluminense e bairros do Subúrbio do Rio, o governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e integrantes do recém-criado Gabinete Integrado da Baixada se reúnem na manhã desta sexta-feira (13) com o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, e o secretário Nacional de Defesa Civil, coronel Adriano Pereira Júnior. O encontro, que ocorre no Rio de Janeiro, servirá para discutir as operações de combate às enchentes e as ações emergenciais nas áreas afetadas. FONTE:G1.COM

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