quarta-feira, 30 de julho de 2014

Homem que fez transplante facial torna-se estrela da GQ

Em 1997, Richard Lee Norris sofreu um acidente que lhe desfigurou o rosto quase por completo. Em 2012, foi submetido a uma cirurgia pioneira de transplante facial. Agora, em 2014, figura na capa da GQ, uma das revistas de moda mais conceituadas do mundo. De besta a bestial. De monstro a belo.
Corria o ano de 1997. Richard era, na altura, um jovem de 22 anos como outro qualquer. Ao chegar a casa, começou uma discussão com a mãe, muito provavelmente motivada pelo seu estado de embriaguez. Uma coisa puxa a outra e Richard puxou da caçadeira. Apontou a arma ao próprio rosto e garantiu à mãe que dispararia sem problemas. Acabou por se alvejar fortuitamente. A metade inferior da sua face foi dilacerada, mas Richard sobreviveu. Perdeu o nariz, o maxilar, os dentes e praticamente toda a língua. Nos dez anos que se seguiram, o americano viveu enclausurado em Hillsville, Virginia, EUA, saindo de casa unicamente para ir às compras durante a noite. Foi alvo de dezenas de operações para reparação do rosto, mas as cirurgias convencionais apenas corrigiram uma pequena parcela dos danos infligidos. Há dois anos, foi alvo da mais longa operação de transplante facial alguma vez feita. Rodeado de 150 médicos e enfermeiros, Richard esteve na sala de operações durante 36 horas. O procedimento cirúrgico não dava garantias. Um autêntico cara ou coroa: 50% de hipóteses de sobreviver, outros 50% de morrer. Uma vez mais, Richard prevaleceu. O seu doador, Joshua Aversano, morrera atropelado por uma carrinha. Atualmente, Richard mantém uma boa relação com a família do falecido jovem de 21 anos. As fotografias de Richard Lee Norris são agora folheadas na mesma revista onde Justin Timberlake, Jessica Alba, Rihanna, Ryan Gosling e muitos outros já apareceram. Muitos destes também se sujeitaram a operações de ordem estética - não por necessidade, como Richard, mas porque sim. À GQ, Richard disse que "uma gota de esperança pode criar um oceano, mas um balde de fé pode criar um mundo inteiro". Este é o seu novo mundo: o dos holofotes e manchetes. Os médicos da University of Maryland Medical Center acreditam que o procedimento de que Norris foi alvo pode vir a abranger outras vítimas de desfiguração facial, como é o caso de soldados feridos em conflito. Dois anos após a operação, Richard está a recuperar bem, embora tenha que tomar fármacos imunossupressores para o resto da vida, correndo o risco de o seu corpo rejeitar o novo rosto a qualquer altura. "Todos os dias, eu acordo com esse medo: será este o dia? O dia em que eu vou entrar num estado de rejeição tal que os médicos não possam fazer nada?", contou à GQ. FONTE:expresso.sapo

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