terça-feira, 1 de julho de 2014

R$ 1 milhão por jogo:Quadrilha de cambistas tinha acesso a áreas da Fifa, diz polícia do RJ Operação policial terminou com nove presos no Rio e dois em São Paulo. Investigações apontam que quadrilha movimentava R$ 1 milhão por jogo

Polícia apreendeu planilhas de contabilidade da quadrilha, mais de cem ingressos, ingressos e documentos diversos (Foto: Mariucha Machado / G1) A Polícia Civil do Rio investiga como membros de uma quadrilha internacional de cambistas tinha acesso a áreas exclusivas da Fifa. Onze pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (1º) e, segundo as investigações, o grupo chegava a faturar R$ 1 milhão por jogo da Copa do Mundo com a venda de ingressos. As informações são do delegado titular da 18ª DP (Praça da Bandeira), Fábio Barucke. O Departamento de Imprensa da Fifa informou que a entidade não foi contatada pelas autoridades locais nem recebeu informações oficiais sobre o assunto. "Não estamos em posição de fazer qualquer comentário por enquanto", diz a nota. Na operação da polícia do Rio, nove integrantes da quadrilha foram presos na capital fluminense e dois, em São Paulo, por envolvimento no esquema fraudulento. Com os suspeitos, foram apreendidos tíquetes fornecidos como cortesia a patrocinadores e a Organizações Não Governamentais (ONGs). O delegado Fábio Barucke afirmou ainda que há indícios de participação de algum integrante da Fifa no esquema. "Nós temos elementos que dão a entender que eles teriam envolvimento com algum membro da Fifa. Nós ficamos atrás de um argelino [um dos detidos] e verificamos que no carro dele há um adesivo que dá acesso a qualquer evento privado da Fifa. O inquérito está em curso. As prisões são temporárias, outras pessoas ainda podem ser qualificadas. A prisão preventiva vai ser requerida e documentos estão sendo analisados", afirmou Barucke.
Argelino está entre os detidos por cambismo e lavagem de dinheiro no Rio (Foto: Mariucha Machado/G1) Especializados em copas do mundo Segundo Barucke, estimativas apontam que a quadrilha poderia movimentar cerca de R$ 200 milhões por Mundial. Entre os detidos, nesta terça, está um policial militar. Um dos indiciados, segundo o delegado, trabalhava com integrantes de três seleções. Com os times, ele conseguia 50 ingressos por jogo e vendia cada um por mil euros. O chefe da quadrilha foi identificado como o argelino Mohamadou Lamine Fofana, que seria conhecido por jogadores. "Eles confessaram que já realizaram quatro Copas do Mundo. Onde tem Copa do Mundo essa organização vai no país sede. Há possibilidade deste grupo trabalhar apenas nas Copas. O lucro é tão grande que eles podem esperar de uma copa para outra", disse Barucke. Três agências de turismo envolvidas "Descobrimos que estas empresas faziam contato com agências de turismo que traziam turistas para o nosso país e vendiam ingressos acima do preço. A rentabilidade ia de 200 a 1000%, valor maior ao de qualquer atividade lícita", explicou Barucke. O delegado disse ainda que, de acordo com progresso da seleção brasileira no campeonato, os valores dos ingressos ficavam mais valorizados. Uma entrada para a final da Copa poderia poderia chegar a R$ 35 mil. "Isso não democratiza o acesso ao Maracanã. Esse inquérito está em curso. Alcançamos 11 pessoas e nós temos mais provas da participação de outros elementos. Já temos a prova de participação de outras sete pessoas nessa quadrilha",disse o delegado. A ação da polícia contou com interceptação telefônica, ação controlada, filmagens da venda dos bilhetes e desarticulação de três agências de turismo. Os presos serão indiciados por cambismo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Quem comprou ingressos vendidos pela quadrilha serão chamados para depor. “Todas as pessoas que estão sendo flagradas comprando ingresso são qualificadas como testemunhas do inquérito”, afirmou delegado. A polícia cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e apreendeu planilhas de contabilidade da quadrilha, mais de cem ingressos e documentos diversos, além de dinheiro em espécie. As contas correntes de todos os indiciados foram bloqueadas. Os bancos foram comunicados sobre a investigação e a quebra de sigilo bancário já foi pedida à Justiça. FONTE:G1.COM

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