domingo, 7 de dezembro de 2014

Mãe coloca casa à venda para realizar cirurgia da filha de 12 anos na Bahia Adolescente sofre de escoliose, encurvamento anormal da coluna vertebral. Segundo os pais, de Conceição do Coité, cirurgia custa mais de R$ 150 mil.

Mãe colocou casa à venda para pagar cirurgia de coluna da filha (Foto: Raimundo Mascarenhas / Site Calila Noticias) Uma moradora da cidade de Conceição do Coité, localizada a cerca de 210 quilômetros de Salvador, colocou a casa à venda para tentar realizar o tratamento da filha de 12 anos, que sofre de escoliose - um encurvamento anormal da coluna vertebral. Rita de Cássia Ferreira conta que a adolescente Rebeca Larissa da Silva começou a apresentar o problema no ano passado e, com isso, ela decidiu se desfazer da residência para pagar parte da cirurgia da jovem, que custa em torno de R$ 150 mil. "Os médicos disseram que o problema dela é bem grave e que só a cirurgia pode resolver. Mas mesmo se a gente vender a casa, ainda não vamos conseguir todo o dinheiro para pagar o procedimento. A casa custa em torno de R$ 100 mil", afirmou ao G1 a dona de casa, que mora com Rebeca, o esposo e a outra filha de sete anos. Rita afirma ter descoberto o problema da garota em junho de 2013, quando uma colega percebeu algo de errado na postura da menina. "A vizinha percebeu que a coluna dela estava torta e foi aí que descobrimos. Fomos até o médico, em Feira de Santana, e ele confirmou que ela estava com escoliose", diz. Enquanto não consegue realizar a cirurgia, Rebeca tem que usar um colete para evitar que a curvatura da coluna aumente ainda mais. "O médico falou que o problema está evoluindo demais e que, se não tratar, a coluna pode entortar mais e ela pode até ficar na cadeira de rodas. No exame de ressonância que ela fez, em novembro do ano passado, ela estava com curvatura de 40 graus. Agora, a coluna já tá com 78 graus", conta. Ainda de acordo com a mãe, por conta do problema na coluna, Rebeca sente dores e, às vezes, nem consegue dormir. "Ela também sente falta de ar, porque o colete aperta muito. Mas é uma menina que não se abate com nada. Ela brinca de forma normal, como as outras crianças, mas sente dor nas costas e nas pernas quando corre", afirma Rita.
A mãe da jovem afirma que esteve em Salvador, na quinta-feira (4), para que a filha pudesse fazer um exame em um hospital da cidade. "Estive no Hospital Santa Isabel e o médico disse que eu poderia pedir ao Ministério Público a liberação da cirurgia, mas isso deve demorar. Além disso, pelo SUS eu teria que esperar mais de um ano pelo procedimento", afirma. Odair, pai de Rebeca, diz que a família pretende morar de aluguel caso a casa seja mesmo vendida. "Eu trabalho com sisal e nós não temos condições de comprar uma casa nova, caso a gente venda essa", disse. A mãe da jovem não perde a confiança: "Confio em Deus que alguém vai me ajudar. É melhor vender a casa do que vê ela usando cadeira de rodas", afirma. O G1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, que afirmou através da assessoria que não tem como fazer uma previsão de quanto tempo a menina teria que esperar para conseguir a cirurgia pelo SUS. Doença A escoliose pode ser resultado de fatores genéticos ou de má postura e é comum na fase da pré-adolescência, como explica o ortopedista Fábio Costa. "Nessa fase, o esqueleto do corpo humano ainda está se formando e, algumas crianças, podem apresentar alguma deformidade por predisposição ou não. No caso da escoliose, por exemplo, a coluna fica em formato de um 'S', ao invés de ficar reta", explica. Em muitas pessoas a escoliose pode ser decorrente de uma alteração do crescimento dos membros inferiores - quando uma perna fica maior que a outra - ou pelo desenvolvimento da própria coluna. O especialista afirma que, quanto mais cedo o problema for detectado, mais fácil impedir que o encurvamento aumente. "Temos, então, causas genéticas e adquiridas que levam a essa deformidade, que pode aumentar ou estagnar com o tempo. O problema também pode ser corrigido, em alguns casos, com uso de coletes, com fisioterapia e RPG [Reeducação Postural Global]", destaca. Ainda segundo Costa, a cirurgia, que segundo ele pode variar de R$ 20 mil a R$ 150 mil, a depender da gravidade do caso, só é recomenda em casos graves e após a maturidade esquelética. "No caso da cirurgia, o recomendado é esperar primeiro a formação do esqueleto, após os 15 ou 16 anos. Antes disso, é aconselhável esperar o desenvolvimento da criança e optar pelos outros métodos que não seja a cirurgia". FONTE:G1.COM

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