sábado, 27 de dezembro de 2014

TARTARUGAS PAGAM O PATO EM CEIA DE NATAL

Fiscais apreendem tartarugas em RR que seriam usadas para ceia de Natal Quatro suspeitos de tráfico foram presos pela Cipa com 130 tartarugas. Animais podem custar R$ 500 e seriam vendidos em Boa Vista e Manaus.
Segundo fiscais ambientais, tartarugas seriam vendidas em Boa Vista e Manaus para serem consumidas em ceias natalinas (Foto: Divulgação/ ICMBio) Quatro pessoas foram presas na quarta-feira (24) por policiais militares da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa) durante fiscalização na região do Baixo Rio Branco, em Caracaraí, no sul de Roraima. Com os suspeitos de tráfico de animais silvestres, foram encontradas 130 tartarugas que, segundo um integrante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), seriam usadas em ceias natalinas. A operação foi coordenada pelo Parque Nacional do Viruá. Também foram apreendidos duas embarcações, dois motores e arma de fogo. De acordo com o chefe do Parque Nacional do Viruá e analista ambiental do ICMBio, Antônio Lisboa, há anos a região é alvo da ação de traficantes de animais silvestres. Esse é o período em que as tartarugas estão desovando e as fêmeas sobem para a praia para depositarem os ovos, o que as tornam vulneráveis e alvo fácil. "Eles colocam as tartarugas em uma espécie de curral no meio da mata e vão estocando os animais nesses locais. Quando 'acumulam' muitas, eles as transportam. É nessa hora que a gente consegue impedir a ação", esclareceu Lisboa. Ainda segundo ele, geralmente as tartarugas são vendidas em Boa Vista e Manaus. Elas custam entre R$ 300 e R$ 500. Por semana, o mercado ilegal em Manaus chega a movimentar R$ 1 milhão. A operação, que se iniciou em setembro, já salvou 250 espécimes. A apreensão foi considerada a maior do ano. Lisboa falou que os 'tartarugueiros' estavam aguardando a fiscalização sair do posto na barreira para poder transportar os animais. "Eles certamente estavam estocando as tartarugas há vários dias, mas sabiam que a gente estava na área e não 'subiam' para Caracaraí. Fingimos desmobilizar a operação, mas na verdade só mudamos o local da barreira. Eles foram surpreendidos e foi assim que capturamos os animais na véspera do Natal, que era a data-limite para eles conseguirem vendê-los a tempo de serem preparados para a ceia", esclareceu Lisboa. Parcerias De acordo com o sargento Jeferson Silva, da Cipa, a maior apreensão antes da ocorrida na quarta-feira foi em setembro. "Na ocasião, 84 tartarugas haviam sido apreendidas em outra operação. O sucesso dessas ações se deve à união de esforços. O apoio do Parque Nacional do Viruá, por exemplo, através de recursos e equipamentos, mesmo quando as ações se dão fora da unidade de conservação, tem sido fundamental", destacou. Silva acrescenta que as operações tem sido feitas em parceria entre o ICMBio, a Cipa e o Ibama desde 2011 e mais de 250 tartarugas foram salvas ao longo do segundo semestre de 2014. “Sozinhos, nada disso seria possível. Esse é o resultado de uma parceria que vem dando certo e que conta com o excelente trabalho e a dedicação de parceiros da Cipa, do Ibama, das Polícias Rodoviária e Federal que, com muita inteligência e estratégia, têm garantido a proteção não apenas do Parque Nacional do Viruá, mas de toda a região”, concluiu Antonio Lisboa. Espécies Entre as espécies resgatadas, estão 90 tartarugas-da-Amazônia (Podocnemis expansa), 33 tracajás (Podocnemis unifilis) e 17 iaçás (Podocnemis tuberculata). Todas foram recuperadas vivas e 119 já voltaram ao habitat natural. Nove tartarugas, que apresentaram anzóis presos na garganta, foram encaminhadas ao Centro de Triagem do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para tratamento. Em seguida, elas serão devolvidas à natureza. Além das operações de fiscalização, o Ibama monitora 789 covas nas regiões dos tabuleiros de desova até março de 2015, quando se encerra o período de reprodução dos animais no baixo Rio Branco. O monitoramento conta com a proteção de policiais e apoio do ICMBio.

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