sábado, 28 de março de 2015

Coalizão árabe bombardeia rebeldes iemenitas em Sanaa

Os aviões da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita bombardearam fortemente neste sábado as posições dos rebeldes xiitas em Sanaa, no terceiro dia da intervenção militar no Iêmen, aplaudida por uma cúpula árabe realizada no Egito. Antes de começar nesta quinta-feira a campanha aérea "Tempestade Decisiva", que envolve nove países árabes, a marinha saudita evacuou de Áden, a grande cidade do sul do Iêmen, dezenas de diplomatas.
fonte imagem :g1.com A monarquia sunita saudita, cujo país compartilha uma longa fronteira com o Iêmen, está no comando da intervenção árabe que quer frear os rebeldes xiitas huthis, apoiados pelo Irã e que no início tomaram a capital Sanaa. O rei saudita, Salman Ben Abdel Aziz, afirmou neste sábado na cúpula pan-árabe realizada em Sharm el Sheij (Egito) que "a operação continuará até cumprir seus objetivos: que os iemenitas voltem a ter segurança". O próprio El Hadi teve primeiro que se refugiar em Áden e depois foi para a Arábia Saudita, antes de voar para o Egito para participar da cúpula. Em Sanaa, pela terceira noite consecutiva, foram ouvidas inúmeras explosões. Os bombardeios contra posições rebeldes têm sido intensos desde o início da operação militar, de acordo com testemunhas. "Foi uma noite intensa de bombardeio", "janelas vibraram", relatou uma mulher que trabalha em uma organização humanitária. "As pessoas querem sair, mas não há aviões para deixar o Iêmen". Segundo um fotógrafo da AFP, os bombardeios continuaram durante toda a noite até a meia-noite (de Brasília). Os moradores disseram que os ataques direcionados contra instalações militares, principalmente posições de defesa aérea e depósitos de munições em todo a capital. Em Áden, 54 pessoas foram mortas em combate nos últimos três dias, de acordo com autoridades sanitárias. A situação é cada vez mais caótica, com confrontos entre rebeldes e membros dos "comitês populares" anti-huthis em vários bairros. Ao anunciar sua intervenção militar, a Arábia Saudita disse que queria fazer frente à "agressão" do Irã, a quem acusa de apoiar os huthis e de tentar "dominar" a região. O Irã nunca confirmou ajuda aos huthis, mas denunciou a operação saudita, que conta com apoio norte-americano a nível de inteligência e logística. Diplomatas do Golfo afirmam que a campanha aérea militar contra os huthis no Iêmen "poderia durar de cinco a seis meses". A Arábia Saudita mobilizou 150.000 militares e 100 aviões de combate, enquanto os Emirados Árabes Unidos disponibilizaram 30 aviões de combate, o Kuwait 15 e o Catar 10, disse a rede de televisão de capital saudita Al-Arabiya. O Bahrein anunciou que participa com 12 aviões. A operação mobiliza também o Egito, com sua aviação e sua marinha, além de Jordânia, Sudão, Paquistão e Marrocos, segundo Riad. Esmagar os huthis mudará a complicada relação de forças entre as facções no Iêmen, mas isso pode "favorecer os grupos ultrarradicais sunitas", disse John Marks, especialista da região no instituto Chatham House. Marks se referia à Al-Qaeda e, sobretudo, ao grupo Estado Islâmico (EI), que na semana passada reivindicou seus primeiros atentados mortíferos em Sanaa. No dia 6 de fevereiro, os huthis dissolveram o Parlamento e reforçaram seu poder, mas fato da renúncia de Hadi não ter sido aprovada no Congresso deixa a medida à margem da Constituição. O golpe dos huthis foi repudiado com firmeza pelo centro, o sul e o sudeste do país, onde tribos sunitas impedem as milícias xiitas de impor sua autoridade. O Iêmen, um aliado-chave dos Estados Unidos no combate à Al-Qaeda, está mergulhado no caos desde que os huthis tomaram o controle da capital, em setembro, e expulsaram o governo.
FONTE:TERRA /AFP /G1.COM

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