quarta-feira, 4 de março de 2015

MORETE DE DANÇARINO DG:Polícia conclui que tiro que matou DG, do 'Esquenta', foi disparado por PM

03/03/2015 20h36 - Atualizado em 03/03/2015 21h54 Polícia conclui que tiro que matou DG, do 'Esquenta', foi disparado por PM Dançarino foi encontrado morto em favela da Zona Sul em abril de 2014. Policial terá prisão pedida; outros seis PMs também serão indiciados. Dançarino foi encontrado morto em favela da Zona Sul em abril de 2014. Policial terá prisão pedida; outros seis PMs também serão indiciados.
Corpo do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira (Foto: Reprodução/WhatsApp/Extra) A Polícia Civil do Rio encerrou nesta terça-feira (3) a investigação sobre a morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, morto na Favela Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Zona Sul do Rio, no dia 22 de abril de 2014. O delegado Gilberto Ribeiro anunciou que vai pedir ao Ministério Público, nesta quarta-feira (4), a prisão por homicídio do soldado Walter Saldanha Correa Júnior. De acordo com o inquérito, obtido com exclusividade pelo Jornal Nacional, foi ele quem matou DG, com um tiro. Outros seis PMs vão responder por falso testemunho e prevaricação. Dois policiais foram inocentados. O corpo de DG foi encontrado caído em um corredor, nos fundos de uma creche, depois de uma madrugada de tiroteio na Favela Pavão-Pavãozinho. Douglas trabalhou durante quatro anos como dançarino do programa “Esquenta”, de Regina Casé, na TV Globo. DG era considerado pelos colegas de trabalho um profissional alegre e dedicado. A filha Laylla, de 4 anos, era muito apegada ao pai e imitava as coreografias dele. Douglas sempre visitava a favela onde foi criado. O mesmo soldado Valadão diz o que aconteceu na base da UPP. É o diálogo depois do confronto. "Os soldados D'Águila, Walter e R. Bispo comentaram ter visto um vulto passando do alto do imóvel, onde os marginais se encontravam, para o outro lado do muro. E o policial Walter comentou: "Pô, Valadão, eu acho que acertei aquele ganso", disse, em depoimento. Ganso era DG, o dançarino. A polícia concluiu que: o confronto entre policiais e traficantes ocorreu na região onde fica a quadra de esportes da favela; o projétil que matou o dançarino é semelhante àqueles comprados e usados pela Polícia Militar do Rio; DG tinha parte da roupa umedecida, notadamente os seus documentos, mostrando que, na fuga, ele tinha passado sobre a tampa de uma caixa d’água, imergindo parte de seu corpo na reserva ali armazenada. O policial Walter Saldanha, que acertou o tiro em DG, estava do lado de fora do prédio, embaixo, como mostrou a reconstituição. Acertou DG depois de ele passar pelo vão do quarto andar, quando o dançarino já estava sobre o beiral, com o corpo virado para a parede. Diz o laudo: "o tiro foi desfechado de baixo para cima, na direção do quarto andar, onde DG buscava se esconder sobre o beiral, de onde, ato contínuo, saltou para o topo do muro, sucumbindo no local onde foi encontrado."
Policiais fazem a reconstituição da morte do dançarino DG (Foto: Armando Paiva / Foto Arena / Estadão Conteúdo)
Fuga Segundo a polícia, para fugir dos tiros, mesmo depois de ferido, DG saltou do beiral da laje para o muro em frente. Dali, pulou para o telhado de uma creche onde havia duas caixas d'água. A tampa de uma delas estava aberta. Em seguida, o dançarino passou sobre o telhado de um colégio e da laje de uma creche vizinha. DG desceu cambaleando em um corredor lateral. Caminhou muitos passos degraus abaixo, caiu várias vezes e morreu. O muro ficou marcado de sangue. Em fotos, o rapaz está com a camisa pra fora da calça e vestida pelo avesso. Na época da morte, parentes e amigos disseram que DG tinha ido à comunidade visitar a filha, foi confundido com traficantes e fugiu para se proteger. O dançarino DG e sua filha Laylla, 4 anos (Foto: Reprodução/TV Globo)

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