quinta-feira, 9 de abril de 2015

CONJUNTO DE FAVELAS DO ALEMÃO : TIROS AFASTA CURSOS E NEGÓCIOS DEIXA PREOCUPAÇÕES DE FALECIA

Tiros afastam negócios e cursos do Conjunto de Favelas do Alemão, Rio Agência de turismo da comunidade fechou as portas ainda em 2014. Morte de Eduardo revelou sensação de insegurança mesmo após UPP.
Biblioteca Parque Alemão, sob o teleférico, foi palco das aulas de Laboratório Editorial (Foto: André Gomes de Melo/Divulgação) Uma nova rotina se instala no Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, além de trocas de tiros frequente: o colapso de pequenas empresas, como agência de turismo, lanchonetes e restaurantes. Enquanto algumas fecham as portas, cursos se mudam para áreas mais seguras da cidade — embora, institucionalmente, o Alemão seja tratado como "pacificado". O processo de falência ou de mudança começou antes mesmo de um tiro estourar o crânio do garoto Eduardo de Jesus, de 10 anos, na porta de sua casa na última quinta-feira (2). Devido aos confrontos entre policiais e traficantes, uma agência de turismo que guiava estrangeiros e cariocas pelos becos da comunidade foi obrigada a encerrar os passeios já durante a Copa do Mundo, no ano passado. Mariluce Maria de Souza, idealizadora do projeto Rio Favela Tour, ao lado do marido Cléberson, estima que sete mil pessoas chegaram a visitar o Alemão por dia no auge do sucesso — e da paz — durante uma novela que se passava na comunidade. Há cerca de 9 meses, no entanto, o cenário mudou. "A gente praticamente desativou [a agência]. Até hoje, tem pedido [de passeios] mas não tem como. A gente faliu por causa da violência e tantos outros empreendedores que acreditaram no turismo estão como nós", relata Mariluce. Em redes sociais, a professora de um curso profissionalizante que não quis se identificar se referiu ao período como "guerra". Ela contou que teve de dormir na sala de aula, após tiroteio "muito intenso". Em nota, a Secretaria Estadual de Cultura (SEC) informou que algumas das aulas oferecidas pelo órgão não foram interrompidas, como os cursos de moda, artes marciais e teatro. A SEC informou ainda que a biblioteca infantil da Ocupação Cultural do Alemão está sendo oferecida "normalmente". Coordenadora de outra cadeira, a de Laboratório Editorial, que se propõe a publicar a revista Setor X, Anna Dantes teve que se conformar com a transferência das aulas para Manguinhos. Quando a paz permite, as aulas retornam ao Alemão, mas ela reconhece que, durante um tempo, tornou-se "inviável" lecionar no local. "A turma decidiu a transferência junto com os professores. A revista está ficando bem bacana e é só coisa linda, em oposição ao terror", conta. FONTE:G1.COM

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