quarta-feira, 29 de abril de 2015

Jovem mexicana foge após dois anos como escrava

Caso provocou espanto na capital mexicana; país tem mais de 260 mil pessoas em situação análoga à escravidão, segundo ONG. Uma jovem mexicana de 22 anos viveu os últimos dois anos acorrentada pelo pescoço e submetida a constantes maus-tratos físicos. Ela trabalhava em condições análogas à escravidão em uma tinturaria na Cidade do México e denunciou os patrões à polícia ao conseguir escapar. Agora, seus patrões são acusados de trabalhos forçados, no que, segundo a Procuradoria de Justiça, é o primeiro caso do tipo descoberto na capital. A garota disse às autoridades que era alimentada uma vez por dia com um caldo de frango com feijões e algumas tortilhas. Para aplacar a fome, ela afirmou que costumava mastigar o plástico que cobria as roupas que a obrigavam a passar. Contra a sede, bebia a água condensada no ferro. A má alimentação causou sérios prejuízos a seu organismo. De acordo com a Procuradoria, ela foi resgatada com um quadro de anemia severa e "tem um aspecto físico de 14 anos, mas seus órgãos internos se assemelham aos de uma pessoa de 81 anos, por causa dos danos causados em cativeiro". Quando tentava descansar em meio aos turnos de mais de doze horas de trabalho, ela afirmou que era golpeada com pedras ou chaves de fenda. Suas costas também eram frequentemente queimadas com o ferro de passar roupas. Ela disse ainda, segundo a Procuradoria, que "quando as feridas iam cicatrizando, lhes arrancavam as cascas". Seu corpo tinha diversas marcas dos ferimentos. Cinco pessoas da família dona da tinturaria foram presas sob acusações de abuso. A garota conseguiu escapar do cativeiro há alguns dias, quando percebeu que a corrente que a prendia estava frouxa. Ela saiu à rua e encontrou policiais, a quem pediu ajuda. Em seguida, eles a levaram ao Ministério Público para que ela denunciasse a situação. 'Eu a chamava de mãe' De acordo com a vítima, que não foi identificada publicamente, seus agressores lhe ofereceram boas condições de trabalho quando foi contratada, além de um lugar para morar. "No começo, era um bom trabalho. (Eu trabalhava) das nove da manhã às oito da noite e me pagavam 300 pesos (R$ 57) por semana", disse ao jornal local El Universal. "Eu vivia com a família. Eles me alimentavam e eu dormia com a dona e suas filhas na casa, acima da tinturaria. Eu até a chamava de mãe." No entanto, segundo a Procuradoria, as irmãs Letizia e Fanny, filhas de seus patrões, começaram a acusá-la de roubar objetos da casa e danificar as roupas com as quais trabalhava. A partir daí, eles a acorrentaram e deixaram de pagá-las. Segundo o Índice Global de Escravidão 2014, da ONG Fundação Walk Free, o México tem cerca de 267 mil pessoas – muitas delas imigrantes centro-americanos sem documentos – vivendo como "escravos modernos". O Brasil, segundo o mesmo índice, possui 155 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão. Em dezembro de 2014, a chamada "lista suja" do trabalho escravo, que divulgava nomes de empregadores condenados administrativamente em definitivo pelo uso de trabalho escravo, foi suspensa por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). A lista era considerada um instrumento pioneiro de combate à escravidão moderna no mundo e sua suspensão causou preocupação a órgãos internacionais. No último dia 31 de março, o Ministério do Trabalho e Emprego e a Secretaria de Direitos Humanos assinaram uma nova portaria, amparada pela Lei de Acesso à Informação, determinando a divulgação da lista. A relação, no entanto, ainda não foi divulgada. O atraso já é alvo de cobranças por parte de instituições como o Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. O conceito de "escravidão moderna" abarca a escravidão, o tráfico humano, o trabalho forçado ou servidão por dívida e o matrimônio servil. A Fundação Walk Free estima que, no mundo todo, cerca de 36 milhões de pessoas estejam nessas condições. FONTE:www.bbc.co.uk

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